Revista de Imprensa

25-03-2012
> Foram entregues 1155 casas aos bancos num único mês > DN
 

O número de imóveis entregues à banca pelas famílias que não conseguem já pagar os seus empréstimos não para de aumentar. Só em dezembro de 2011 foram entregues aos bancos cerca de 37 casas por dia, em dação em pagamento por famílias e por promotores imobiliários, na sequência do incumprimento nos créditos à habitação e à construção, segundo estimativas da associação que representa o setor imobiliário.  
 
É mais do dobro da média da totalidade do ano: 17 imóveis por dia.  
 
No total, no ano passado cerca de 6900 imóveis foram entregues em dação em pagamento, mais 1100 casas do que em 2010, um agravamento de quase 18%, segundo dados da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso.  
 
Só no mês de dezembro foram entregues 1155 imóveis, um agravamento de 49% face a dezembro de 2010. Desta forma, de acordo com a APEMIP, o último mês do ano passado foi o mais negativo em termos de volume de imóveis entregues , pelo menos, dos últimos 24 meses.  
 
"Estes valores demonstram as dificuldades que o sector da construção e do imobiliário estão atravessar", afirmou Luís lima, presidente da APEMIP, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo.  
 
"A falta de esperança das empresas promotoras de que vão conseguir vender os imóveis, assim como a própria crise na construção e imobiliário e as dificuldades das famílias" são as principais razões apontadas pelo responsável da APEMIP para o aumento da entrega de casas à banca.  
 
As estimativas da associação mostram que as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto concentram 45,2% do número total de imóveis entregues à banca no ano passado, sendo que dos 10 municípios mais penalizados em termos nacionais, apenas três - Loulé, Ponta Delgada e Braga - não pertencem a estas duas regiões.  
 
"Esta tendência de crescimento tem vindo a verificar-se nos últimos meses e é provável que se mantenha. Uma situação grave sobretudo porque tem contribuído para o encerramento de promotores imobiliários, o que se traduz em mais desemprego", afirmou Luís Lima.  
 
Estimular o arrendamento  
 
O responsável da APEMIP criticou ainda o facto de os bancos colocarem novamente à venda os imóveis que lhes são entregues mas a preços mais baixos, com descontos que podem chegar até aos 30%.  
 
"Esses imóveis deveriam ser canalizados para o arrendamento, por exemplo, para os fundos de arrendamento que foram criados em 2009. Mas isso acaba por não acontecer, ou seja, os imóveis voltam ao mercado para venda mais baratos, o que pressiona os preços", adianta Luís Lima.  
 
Perante este cenário, o presidente da APEMIP explica que "podem dar-se casos em que dois prédios no mesmo local oferecem além de preços diferentes, também condições de financiamento distintas". E explicou: "Enquanto no prédio detido pela banca à crédito e a 100%, no do promotor imobiliário não há. Desta forma torna-se muito difícil para os promotores que ainda procuram sobreviver competir com essa oferta da banca."  
 
O responsável da associação do sector adiantou ao DN/Dinheiro Vivo que tem mantido conversações com os cinco principais bancos a atuar no mercado português - Caixa, BCP, BES, BPI e Santander Totta -para os sensibilizar para a questão de canalizar esses imóveis para o arrendamento.  
 
"Atualmente existe ainda pouca oferta no mercado de arrendamento para a quantidade de procura que existe. Isso tem contribuído para que os preços se mantenham altos, e é aqui que a banca, com os seus imóveis poderia dar o contributo."  
 
Com a crise no sector imobiliário, Luís Lima adiantou que, só no ano passado, o mercado perdeu cerca de 22% de imobiliárias, 40% de construtoras e uma percentagem ainda maior de promotores.  
 
IMOBILIÁRIO  
 
Banca dá desconto de 30%  
 
imóveis Financiamento a 100%, spreads mais competitivos, a isenção do pagamento de comissões como de custo de avaliação e despesas de abertura de dossier, aliado ainda a um desconto no preço dos imóveis que pode chegar até 30%. São as apostas da banca para conseguir captar clientes e vender os imóveis que têm em carteira. O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) explicou ao DN / Dinheiro Vivo que o desconto feito pela banca, em relação ao preço do mercado, "pode atingir os 30%, o que gera um desequilíbrio no mercado".  
 
Leilões ajudam a vender  
 
BANCA Os bancos procuram cada vez mais as leiloeiras para escoarem os imóveis que têm em carteira, resultantes do incumprimento das famílias e empresas. Em 2011, as duas leiloeiras que dominam este mercado - a Euroestates e a Uon - realizaram quase 70 leilões com cerca de 4700 imóveis. Este ano esperam-se novas subidas, mas não tão acentuadas. Há três anos, a Euroestates e a então Luso-Roux (atual Uon) levaram à praça 2100 imóveis. No ano passado, foram já 4700.0 ritmo de leilões também se intensificou: de três dezenas, aumentaram para mais de 70 no ano passado e este ano deverão ascender a 80.  
 
Jovens apostam na banca  
 
IMOBILIÁRIO Tiago Antão, de 26 anos, saiu da casa dos pais em fevereiro para ir viver com a namorada num apartamento próprio. Sem dinheiro para dar de entrada, começou a procurar os imóveis da banca. Tiago e a namorada optaram por pagar 105 mil euros por um T2 na Amadora, com 100 m2, construído em 2006. "Comprei o apartamento por um preço inferior ao de mercado e fiquei com condições de financiamento idênticas a quem já comprou casa há dois anos, tendo em conta que com este imóvel fiquei com um spread de 1,75%", afirmou à Lusa Tiago, há um mês a viver na nova casa.  

 

> Publicado no Diário de Notícias a 25 de Março de 2012



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